Thursday, 12 September 2013

Isabelita, a mulher da ponte

                            Isabelita, a mulher da ponte



A a rua de Sousas, que vai até a ponte sobre o rio Atibaia, chama-se Isabelita Vieira. Foi o amigo Jimmy Bresler (saudade!) que deu a dica: liga pra Dora Vieira Bressler que ela te conta. Ela me recebeu e foi uma delícia, ouvi-la contar a história da qual foi testemunha, ocular e afetiva, de dona Isabelita, sua mãe.


Durante a revolução de 32, as pontes ferroviária e rodoviária de Sousas foram

derrubadas. Estratégia para evitar a passagem do exército mineiro.

O ramal férreo começava na Estação da Paulista e ia até a beira do rio Atibaia. Sem a ponte, ali tomava-se um barco até a outra margem aonde recomeçavam os trilhos seguindo até a fazenda de Cabras, pra lá de Joaquim Egydio. Havia um desvio entre Sousas e Joaquim, chamado parada “Chave quedas”, utilizado durante a safra de café e algodão. Sem esta ponte, não havia como transportar a carga até a estação na avenida Andrade Neves. Também sem a ponte rodoviária, a região passou a ter enormes problemas.

Isabelita Barbosa de Oliveira Vieira, nasceu em 1887 e cresceu em Amparo, fazenda Morro Alto. Casou-se com o engenheiro/arquiteto da cia. Mogiana, Euclydes Vieira, vindo morar na fazenda Palmeiras, entre Sousas e Joaquim Egydio, e tiveram sete filhos. Apesar de ter sido criada como sinhá, sabia trinchar um porco muito bem e separar a gordura. Era dentro dessa banha que se conservavam as carnes, já que geladeira, por aqui, ainda não existia. Também dava aulas de francês, poesia e pintura. Era contratada pra desenhar cardápios de festas importantes e escrevia o menu em forma de versos. Assim somava com o marido na manutenção da família, nos difíceis tempos pós revolução. A artista plástica Sra. Sônia Rocha Brito Gerin, foi sua aluna. Quando os americanos começaram a surgir em Campinas, ela, quase sem entender a língua inglesa, ensinava-lhes nossa língua, através de canções, gestos, pessoas e coisas. Mas voltando ao assunto da derrubada das pontes souzenses.

O pai de Isabelita foi prefeito de Campinas, mas na época era vereador pelo Partido Republicano Paulista, enquanto que o governador Armando Salles de Oliveira, era do Partido Democrático. Mesmo sendo filha dum político da oposição, aos 48 anos de idade, organizou o movimento e como líder, foi até o governador do estado, reivindicar a reconstrução das pontes. E conseguiu ! Desde então, essa valorosa, corajosa e incrível mulher ficou sendo muito amada pelo povo souzense, que a chamava de “a mulher da ponte.”


                                     claudia pacce